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  • Luciano Antonio Carvalho

A rede de teto verde

Atualizado: 24 de Dez de 2019


A rede de teto verde.

(texto de Luciano Antonio Carvalho sobre a canção "Busca de amanhecer")


A que veio “Busca de amanhecer”? De que trata?


Trata-se! De acolhimento, de reencontro. O inferno é o outro, sim, para o individualista, o ser apartado por alguma razão ou meio. Para o indivíduo, a presença do outro é saúde, é felicidade, é vida. Esta canção trata desse reatar, do tecermos juntos um novo ninho, de não depender de poderosos que nos autorizem a felicidade, de nos protegermos dos que nos querem infelizes para “poder” se fazer nossos “salvadores”, através de seus diversos tipos de sabotagem.


Esta canção é uma canção de trabalho, trabalho de quem quer trabalhar, que trabalha porque quer naquilo que quer, e com quem quer. Canção de trabalho, criada para uma cena da peça teatral “Proibido crianças”, do Coletivo Território B, cantada durante a cena de construção de um imenso abrigo, um acampamento noturno improvisado, feito somente por crianças que fugiram do cerco do Rei Perfeito. Este “Rei” havia mandado prender todas as crianças, para enfurná-las na Fundação REI, o Reformatório para Eliminação da Infância, onde elas seriam devidamente “educadas” para serem bons súditos pagantes. Longe de ser fuga da luta, o acampamento é resistência, e a cena é o primeiro momento de calma, depois de enormes e tensas correrias para se esconder dos agentes das instituições. Neste momento de calma, brinca-se, reconhece-se, constrói-se, protege-se junto ao grupo. E após este descanso, as crianças da peça partem para novas atitudes, amadurecidas pelo trabalho coletivo, motivadas, criativas. No fim, elas se organizam para resgatar outras crianças.


A rede de teto verde é fruto de coragem, é fonte de beleza, é ninho em que a proteção se faz carinho. É algo de que necessitamos! Nossas amizades, nossas participações na inteligência coletiva, nosso suor nos empreendimentos em grupo, comunitários, nossos encontros em nossos deslocamentos voluntários, sim, mas também nos involuntários (há tanto por fazer!). É um “lugar” para curar a mente dos aleijamentos culturais, segundo os quais somos incapazes, inábeis, ou meramente “utópicos”. É para sentir, enquanto se canta, que na verdade somos inteiros e completamente prontos para vivermos juntos, felizes, e para fazermos exatamente o que queremos, e não o que outros querem que queiramos.


A rede de teto verde existe!






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