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  • Luciano Antonio Carvalho

A música da semente


Controle absoluto sobre os resultados, na criação artística, é uma esperança tão vã quanto tola. E isso é uma ótima notícia! A vida, como um todo, tem fatores em quantidades impossíveis de levarmos em consideração, a todo momento, em relação a tudo. Mesmo assim, algo do que queremos nós conseguimos, não é mesmo? Se me levanto do sofá, em busca de um copo de água na cozinha, e chego lá e resolvo minha sede, então é porque nem tudo está fora do controle..., pelo menos aparentemente.


Antes de começar a compor, não dá para saber como a música será quando eu terminar. É uma pretensão ridícula. Quando muito, posso pensar rápido, e terminar a composição ainda mentalmente, como um jogador de xadrez, e depois só ter o trabalho de colocar isso para fora, se eu for capaz de me lembrar exatamente o que pensei, e resistindo à tentação de fazer ajustes que a gente só pensa quando vê a ideia se materializando do lado de fora.


Mas a verdade é que, no processo dessa materialização, recriamos tudo. Há uma conversa entre as ideias iniciais e as possibilidades de acontecer fisicamente. Uma coreografia só mental não traria, ao criador, no momento da criação, os elementos/sensações/sentidos que a realização efetiva do movimento provoca, e por isso, ao criar uma coreografia dançando, ou seja, pensando com o corpo, caímos na afirmação do começo: não há controle prévio absoluto sobre o resultado final.


Será que há sorte, nisso? Acho que sim! Mas o que há de sorte, a gente confia! São como os ciclos da natureza. A gente até conta com eles! Prefiro pensar em termos de semente. Ao começar uma música nova, escolho a semente e planto, aí ela vai se desenvolver segundo seu DNA, numa interação concreta, física, com o meio ambiente. Posso adubar, regar, interferir de alguma forma na temperatura e na incidência solar, mas não posso mais querer que haja um desenho totalmente predefinido para cada folha, cada detalhe da planta, mesmo que também possa podar, enxertar, reenvasar etc.; e pode ser que chova, ou não, podem aparecer insetos, ou não, pode acontecer tanta coisa, ou não; mas sempre será a planta que eu semeei e cuidei. Como compositor, só preciso saber decidir quando é que acabei, para dizer enfim que a música está pronta.


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